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Produtos químicos para uso industrial reduzem aportes

Química Geral
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Os investimentos do segmento de produtos químicos de uso industrial, que devem totalizar US$ 1,8 bilhão em 2014, podem cair mais de 83% nos próximos anos e retornar à casa de US$ 300 milhões em 2018, mesmo nível dos desembolsos realizados em 1995, segundo levantamento da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) apresentado na sexta-feira, durante encontro anual do setor, o Enaiq. "Os investimentos estão em queda e sem perspectiva de retomada", disse ao Valor o presidente-executivo da entidade, Fernando Figueiredo.

 

Conforme Figueiredo, não há em curso, neste momento, projetos que exijam investimentos significativos, com exceção do complexo acrílico da Basf em Camaçari (BA), que deve ser finalizado no próximo ano. Fora esse projeto, todos os planos anunciados envolvem aportes secundários. "O custo da matéria-prima e da energia, o custo de capital elevado e a carga tributária reduzem a competitividade dos projetos e inviabilizam novos investimentos", afirmou.

Em 2015, o valor dos investimentos programados deve cair ligeiramente frente a 2014, para US$ 1,7 bilhão, chegando a US$ 1,2 bilhão em 2016, segundo a Abiquim. A partir de 2017, o valor dos desembolsos programados cai de maneira significativa, para US$ 600 milhões naquele ano, US$ 300 milhões em 2018 e US$ 200 milhões, em 2019.

Esse cenário, porém, pode mudar caso o governo siga adiante com a intenção de elaborar uma política que permita agregar valor ao petróleo e ao gás natural do pré-sal, fomentando a retomada da expansão indústria química brasileira.

O presidente da Abiquim afirmou que a Casa Civil está "construindo uma agenda" com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o que pode ter impacto positivo no médio prazo. "É preciso estabelecer uma política industrial específica e existe boa vontade do governo", comentou Figueiredo. "Esperamos que decisões importantes sejam tomadas em 2015", acrescentou.

A indústria química brasileira deve encerrar 2014 com faturamento líquido de US$ 156,7 bilhões, equivalente a expansão de apenas 0,3% frente ao registrado no ano passado. Em moeda nacional, a estimativa da associação é a de crescimento de 6,1%, para R$ 356,5 bilhões.

Dentre os segmentos que compõem a indústria, o de produtos químicos de uso industrial deve mostrar o pior desempenho do ano, com recuo de 3,9% no faturamento líquido, para US$ 69,7 bilhões - em reais, a alta anual projetada é de 2,8%, para R$ 160,8 bilhões. "Isso é reflexo direto da queda da produção", explicou o presidente-executivo da Abiquim.

No ano, a expectativa é a de que a produção do segmento recue 3,2%, enquanto as vendas internas devem cair 2,7%. Para 2015, afirmou Figueiredo, não há expectativa de melhora significativa, uma vez que não há sinais de que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro vá reagir. "O consumo de químicos em geral cresce 25% acima do PIB e não temos um cenário positivo", afirmou.

A balança comercial do segmento, conforme o levantamento da Abiquim, deve encerrar 2014 novamente no negativo, com déficit de US$ 24,1 bilhões, um pouco melhor que o saldo negativo de US$ 24,6 bilhões registrado no ano passado. Esse desempenho reflete o crescimento de 1,7% das exportações, para US$ 11,9 bilhões, e o recuo de 0,8% das importações de químicos de uso industrial, para US$ 36 bilhões.

Considerando-se todos os segmentos, a indústria química nacional deve encerrar 2014 com déficit comercial de US$ 31,6 bilhões, frente ao recorde de US$ 32 bilhões no ano passado, resultado de exportações de US$ 14,4 bilhões (alta de 2,1%) e importações de US$ 46 bilhões (queda de 0,2%).